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BIOGRAFIA

Conheça Dinorá de Carvalho. Uma das maiores figuras da música brasileira. Pianista, Compositora de uma obra de grande envergadura. Uma mulher ímpar. Uma compositora além de seu tempo.

DINORÁ DE CARVALHO

 

Nascida em Uberaba, Minas Gerais, em 1º de junho de 1895, filha de Vicente Gontijo e Júlia Gontijo, foi batizada como Dinorah Gontijo de Carvalho. Artisticamente, ficou conhecida como Dinorá de Carvalho, nome com o qual assinou suas composições.

Iniciou seus estudos musicais com o pai que era músico amador. Após a transferência da família para a cidade de São Paulo, iniciou seus estudos musicais no Conservatório Dramático e Musical onde foi aluna de piano de Maria Lacaz Machado e Carlino Crescenzo. Nesta escola foi colega de Mario de Andrade, dentre outros nomes importantes da música brasileira, com o qual cultivou longa amizade até a morte de Mário. Formou-se em 1916, aos 21 anos com nota 10 com distinção em piano.

Desde seus primeiros concertos, Dinorá foi recitalista muito apreciada e sempre incluía neles uma obra de sua autoria. Data de 1912 sua primeira composição, uma valsa chamada Serenata ao Luar. Sua atuação como recitalista e a grande admiração que causava ao público que lhe assistia lhe valeu uma bolsa de estudos outorgada pelo Governo de Minas Gerais em 1922, para se aperfeiçoar como pianista em Paris com o famoso pianista e professor Isidor Philip (1863-1958) retornando ao Brasil em 1924.

Após esse período e incentivada pelo amigo Mário de Andrade, Dinorá passou a dedicar-se à composição a par de sua carreira como recitalista e professora de piano. Para tento, estudou composição com Lamberto Baldi (1895-1979), Martin Braunwieser (1901-1991) e Ernst Melich (1888-1977).

Ainda na década de 1930, Dinorá dirigiu a Orquestra Feminina de São Paulo, sendo a primeira orquestra do gênero na América Latina e ela a primeira mulher a dirigir uma orquestra no Brasil.

Foi inspetora de Ensino Superior no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo a partir de 1939, cargo no qual se aposentou. Entre suas múltiplas atividades, destacamos sua importância como grande professora de piano na cidade de São Paulo, tendo passado por suas mãos nomes como José Antônio de Almeida Prado, Maria Regina Luponi, Flávio Varani entre outros.

Dedicou-se à crítica musical a partir da década de 50 até a década de 70 do sec. XX, trabalhando em vários periódicos paulistanos como a revista Vanitas, o jornal A Noite – edição São Paulo – A folha da noite e os Diários Associados. Foi acadêmica da Academia Brasileira de Música sendo a primeira mulher a ocupar este cargo.

Suas obras receberam inúmeros prêmios nacionais de grande relevância entre os quais destacamos o de Melhor Obra de Câmara pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) concedido à compositora por três vezes: em 1969 por sua obra Contrastes, para orquestra de cordas, percussão e piano; em 1971 por sua obra Salmo XXII, para barítono, harpa, trompa, clarineta, violoncelo, piano e percussão; em 1977 por sua Sonata nº1- quedas do Iguaçu para piano. Nesse mesmo ano compôs sua última obra de grande envergadura a Missa de profundis estreada no mesmo ano no Teatro Municipal de São Paulo, dirigida pelo maestro Túlio Colasciopo.

Dinorá de Carvalho faleceu em 28 de fevereiro de 1980, deixando incompletas as canções Espelho e Presença com texto de Jandyra Sounis Carvalho de Oliveira.